Martin Luther King e a luta pelos direitos civis 

Conheça a trajetória de um dos principais líderes negros dos Estados Unidos 

No dia 18 de janeiro, celebra-se o Dia de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos. A data é feriado nacional, sendo sempre comemorada na terceira segunda-feira do mês de janeiro. Martin Luther King foi uma figura central na luta pela igualdade racial e pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos. Pastor prostestante, Martin Luther King nasceu em Atlanta, em 1929. Criado em uma família cristã e na Igreja Batista, King sempre valorizou a religiosidade, tendo seguido os passos dos seus familiares na vida religiosa. Em 1948, King se formou em sociologia na Morehouse College e, em 1951, no Seminário Teológico Crozer. Posteriormente, fez doutorado na Universidade de Boston, onde conheceu sua esposa. 

Desde a infância, King viveu cercado pelo racismo e pela desigualdade racial. Nessa época, o segregacionismo racial imperava na Geórgia e em diversos estados do sul dos EUA, que promoviam leis discriminatórias. Negros tinham que usar banheiros separados, estudar em escolas separadas, jurar em bíblias separadas em tribunal, comprar roupas sem poder provar, comprar comida sem poder se sentar nas mesas exclusivas para brancos, não eram hospedados em hotéis e deviam sentar-se no fundo dos ônibus e trens.  

Frente a tantas injustiças e preconceitos, já no início de sua carreira, King militou como ativista pela igualdade civil entre negros e brancos. Dono de uma oratória ímpar, Luther King chamava atenção do público com seus argumentos fortes e sua forma comovente e pacífica de se manifestar. A luta de King não se baseava em atos violentos, suas manifestações eram ordeiras, como passeatas e discursos, buscando alcançar a igualdade racial nos por meio do diálogo e do entendimento. 

Em 1954, mudou-se para Montgomery, no estado do Alabama, onde aconteceu um dos episódios mais marcantes da luta contra a segregação racial. Em 1955, Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a ceder seu lugar a uma mulher branca no ônibus. Por essa atitude, Parks foi presa, o que gerou uma onda de protestos — muitos deles liderados por King. Além das manifestações, milhares de negros se recusaram a utlizar os ônibus para se locomover, causando déficits financeiros elevados no sistema de transporte público da cidade. O boicote durou 382 dias e acabou quando a Suprema Corte decidiu tornar ilegal a discriminação racial em transportes públicos. O episódio foi uma marco do movimento antirracista. Durante o período, King sofreu diversos ataques, tendo sido preso e sua casa bombardeada

Outro episódio marcante da luta contra a segregação racial foi Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade. Organizada e liderada por Martin Luther King, a marcha reuniu 250.000 pessoas em  Washington D.C. para clamar, discursar, orar e cantar por liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial contra a população negra do país. Foi nessa manifestação que King fez seu famoso discurso “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho). Após esse discurso, King foi nomeado o Homem do Ano de 1963 pela revista Time

A Marcha de Washington foi um dos momentos mais importantes da luta antirrascita nos Estados Unidos, tendo colocado mais pressão sobre o governo para que as questões de direitos civis fossem levadas ao Congresso. O Ato de Direitos Civis de 1964 e o Ato de Direitos do Voto de 1965, aprovados pelo presidente Lyndon B. Johnson, foram grandes vitórias da luta contra racismo no país, proibindo práticas eleitorais discriminatórias e os sistemas estaduais de segregação racial. 

Por sua luta pela igualdade racial, Martin Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964, sendo o mais jovem agraciado com a premiação. Apesar do reconhecimento, King foi alvo de muitos extremistas que não queriam o fim da segregação racial. Em 4 de abril de 1968, ele estava no Tennesse, participando de eventos em defesa da igualdade racial. Enquanto estava na sacada do Hotel Lorraine, o ativista foi baleado por James Earl Ray, morrendo poucas horas depois, com apenas 39 anos. 

Apesar da morte precoce, King segue fazendo história e influenciando diversas gerações a lutar por um mundo mais igualitário. Até mesmo no recente movimento Black Lives Matter, que aconteceu em 2020, é possível notar a presença dos ideais de King. Martin Luther King Jr. se perpetua na história como um dos maiores ativistas pelos direitos humanos e um dos grandes líderes do movimento antirracista. 

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